Ande sempre com uma lanterna!

Sempre adorei admirar sorrisos, um sorriso para mim muitas vezes fica como a primeira impressão e acaba sendo o grande responsável por uma possível identificação ou não, mas o sorriso que narrarei aqui é o desfecho para uma história hilária com direito a fortes emoções, risco de morte e algumas risadas pra lembrar pro resto da vida. Sabe aquelas viagens de adolescente? Com os amigos? Pois é! A família de um amigo tinha um sitio em um interior, e em alguns fins de semana juntávamos uns amigos e íamos para lá, aquela bagunça, até que um desses fins de semana foi diferente!É interessante falar que meninos da cidade, quando chegam ao interior são o "sucesso" com as meninas, é a chegada da coca-cola no deserto, principalmente se esses meninos forem filhos de dono de sitio!
Pois bem, continuando, fomos em três amigos e tomando banho de rio conhecemos duas dessas meninas super receptivas, acolhedoras, que para nos deixar a vontade naquele lugar que só tinha mato, nada por perto, nos convidaram para jogar o velho e bom jogo da garrafa, tem diversão melhor para adolescentes? Mas isso somente para que nós tivéssemos alguma diversão durante a noite, porque realmente não tinha nada para fazer ali, sem contar que ainda tinha pouca luz. Chegando a noite nos deparamos com o primeiro problema: elas eram duas e nós três, alguém ia sobrar depois do jogo da garrafa! E agora? Deixamos que elas escolhessem, afinal elas mereciam isso por todo seu acolhimento para conosco! Para o que sobrou a missão era despistar o pai do nosso amigo que estava ouvido jogo no rádio para que ele não desconfiasse da nossa brincadeira noturna. O amigo que sobrou disse que nunca tinha perguntado tanto o placar de um jogo na vida! Para quem ficou na emoção, foi cada casal para um lado. Eu lembro que fui para uma cadeira espreguiçadeira, daquelas que deitam, e não acho exatamente conveniente dizer aqui as coisas que aconteceram naquela cadeira (menores de idade podem ler) até que uma voz "branda" nos interrompeu: Que "putaria" é essa aqui? Vou dizer tudo isso para a sua mãe! Recompondo-me, eu olhei assustado e reconheci o caseiro do sitio, que, aliás, era tio da "dita cuja" e mais assustado ainda pensei: Valha meu Deus! Esse povo no interior só resolve as coisas na peixeira! Agora pronto! Minha reação foi sair dali, iludido que talvez ele não tivesse reconhecido qual dos três eu era! Morrendo de medo da faca!
Passado o susto e sem maiores conseqüências do que uma dor de barriga proveniente de fobia, no outro dia estava eu na mesa do café a olhar para "risinhos" de todos sem saber exatamente o motivo de tal zoação. E passei o dia olhando para esses risinhos, até que enfim acabava o nosso fim de semana e estávamos prontos para ir embora. Já dentro do carro, na estrada, rumo à cidade, encontramos as duas moças acolhedoras e receptivas, e para minha surpresa a que estavam comigo sorriu e acenou! Nesse momento eu entendia o motivo dos "risinhos"! Eu realmente preferia não ter visto aquele sorriso! Sorriso que faltava DOIS dentes da frente! Isso mesmo ela era banguela! Você agora deve estar se perguntando como eu não percebi certo? Eu também me perguntei muito isso, depois de rir muito! Ao meu favor eu poderia dizer que não tinha luz, estava realmente bastante escuro, ou dizer que no calor do momento a última coisa em que eu poderia pensar era em dente faltando sei que passados o risco de morte, as fortes emoções, as zoações, e as moças acolhedoras 
desdentadas, ficou disso tudo muitas risadas e uma importante lição: Isso pode parecer estranho mas ande sempre com uma lanterna!
Fernando Martilis

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