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Futuro do presente

Seremos as letras
Que formam aquelas frases que começam tudo;
- Oi, prazer.
- Como vai você?
- Namora comigo?
Seremos praia, serra e sertão,
Um colchão esticado num chão
Que acolha o nosso anoitecer,
Os nossos sonhos e o pertencer
De carinhos aconchegantes.
Seremos os protagonistas
Do filme das nossas vidas.
Seremos a manifestação dos nossos sorrisos,
Medos,
Lágrimas,
Celebrações.
Seremos nossas identidades
Mesmo quando não pudermos nos reconhecer
Na trivialidade de algum entardecer.
Seremos o sabor adocicado
Do beijo com gosto de chocolate,
Da sobremesa dos nossos desejos,
Daquilo que vem depois do que somos
No milésimo segundo que é agora,
Do agora em que somos nós.

Fernando Martilis

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Receita

Sorrir quando a tristeza ofender,
recolher-se quando a expansão invadir.
Processar tudo.
Descartar somente o que não puder, sequer, ser reutilizável.
Não desistir antes da terceira tentativa.
Sempre ter alternativas, mais de uma.
Conseguir enxergar o fim como uma etapa necessária dos ciclos.
Que o luto demore o tempo de enxugar as lágrimas,
que novas perspectivas acordem conosco ao amanhecer,
que a dor não tome o espaço da esperança
e o medo não te impeça de subir em árvores,
de escalar a vida.
Reforçar o indispensável,
sempre,
o que é constantemente reforçado não se esvazia.
Doar a quem precisar.
Receptividade sempre, como o respirar, não pode faltar.
Movimentar para a frente,
avante e firme.
Quando não for tão firme,
é a hora de parar e avaliar.
A pausa de um suspiro, longo suspiro.
Pensa, refaz os planos e o percurso
E movimento de novo.
Apenas o mínimo é realizado sozinho.
O que de melhor existe na vida
só tem sentido quando é dividido.
A grande questão é quem escolher
Ou por quem fora escolhido
Para dividir a vida,
As vidas.
Fabricar o tempo,
Parece ser o grande desafio da contemporaneidade.
Estabelecer prioridades,
Não se desesperar além de uma breve dor de cabeça
E ser feliz na menor chance que tiver.
Fernando Martilis