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Atena

Atena me escolheu e me seguiu por 08 anos. Nos seus 60 anos caninos, partiu deixando incríveis lembranças, eternizadas na memória.

 

Até onde a lembrança alcançar

Enquanto a memória do teu sorriso

Acalentar meu coração,

E cultivar o meu carinho.

Enquanto guardiã da minha paz

Guardava para ti alguns dos meus melhores abraços

Meus toques mais sinceros,

E um tanto da minha verdade abstrata.

Fiz das tuas sombras o meu passeio

Das tuas manias o meu riso

E da tua morada o meu cuidado

Iludido acreditando que cuidavas de ti

Enquanto alegravas a minha vida cuidando de mim.

De graça,

Nunca me pediste nada

Jamais o teu amor impôs qualquer troca

Era presente, companheiro, exigente.

Amor manifesto, desastrado, teimoso.

Atravessamos o tempo e a sabedoria das coisas

Gritamos os anúncios e as sirenes

Caçamos o imponderável

Caçoamos do nosso desespero

Parece que sabíamos que o tempo um dia nos encontraria

E nos levaria a caminhar por estradas diferentes

O que não foi dito ainda mora no meu coração,

Como o riso, os abraços, os toques e o cuidado

Que como lembranças

Nunca se vão.


Fernando Martilis

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O Farol

Há um farol brilhando numa península 

Brilha sorriso

Riso fácil, gostoso

Farol que brilha numa praça colonial

Brilha aconchego 

Generosidade, afago 

Farol ilha de paz

Farol continente de amor

Leveza de luz

Abraço-calor

Farol caminho

Farol carnaval 

Luz que acolhe

Alma que descansa

Brilho que inspira

Noite que não assusta

Destino repousa

Enfim, repousa

Em terra firma, repousa


Fernando Martilis

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Defluência

 Oi.

Olá.

Cruzaram-se e cumprimentaram-se feito dois estranhos

Nem a saudação, tampouco o presente dialogavam

No passado remoto, viveram um para o outro

Num futuro de devaneios, não estavam prontos

Não foram fortes o suficiente

Como se o amanhã dependesse de força e prontidão

O hoje simplesmente chega

Quando muito, cumprimenta e se apresenta

E, sob um riso desconcertado, se recorda do passado

As memórias são evocadas

Como substrato de frustrações efêmeras

E... Aquela viagem à praia?

E... Aquele natal com a sua família?

Certamente, as fotografias foram esquecidas em algum lugar do tempo

Depois de duas doses de qualquer bebida forte

Já percebeu como o tempo aprecia brincar de vento,

Apagando os rastros de tudo?

A vida seguiu

Não nos enganemos, o hoje amanhã, também, 

Daqui a pouco se tornará história

Fortuita e inacabada estória

Quando restará, para além das lembranças incipientes, 

As breves e singelas despedidas

Até mais.

Adeus.

Fernando Martilis


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Ruínas

O caminhar do tempo esfacelou a vida

Foi-se tempo

Foi-se vida

As lembranças se desfizeram no passar dos dias

Escorreram entre os dedos

Mãos que não conseguiram segurar o tempo

Os pensamentos se perderam nos minutos

Passou tempo

Passou vida

O cheiro evaporou

Dissipou-se no ar

Apagou-se da memória

Desfez-se o domingo, o sábado e a sexta

A semana já passou, a noite também

Passou mais rápido que o normal

O carinho não mais te desperta

O sono cansado esmagou os sonhos 

O café com torradas não está mais na mesa

Nos perdemos no tempo que virou passado

Correu pelas mãos

Se foi a vida, diante do olhar cansado

Desfizeram as lembranças noite adentro

Meses afora

Amanheceu

Amanheceram

Os olhos se abriram, após um longo sono

Repousaram, enfim, sob o quê

Agora

Transformou-se num imenso vazio


Fernando Martilis